SINTRACON / ITAPEVI-SP


Reforma da previdência já parece uma colcha de retalhos


//No dia 15 de março, os protestos contra a reforma da Previdência mobilizaram mais de 1 milhão de pessoas em todo o país.

Organizadas pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com articulação das centrais sindicais, as manifestações demonstram que a cada dia vai ficando cada vez mais claro de que lado está o governo golpista do PMDB.

Com a proposta de reforma da previdência prestes a ir para votação no Congresso, o governo Temer tenta colocar goela abaixo da população uma reforma na aposentadoria, para que nenhum trabalhador possa se aposentar. O projeto já se transforma numa imensa colcha de retalhos onde os lados mais organizados vão se mobilizando para garantir regalias.

Começou com os militares. Depois da ofensiva feita pelos comandantes da Aeronáutica, da Marinha e do Exército, destacando as peculiaridades da carreira, o governo anunciou que não vai incluir os militares na proposta de unificação da Previdência e justificou a decisão com o argumento de que a “ Constituição da República garante aos
membros das Forças Armadas um benefício, sem contribuição, pois eles estão permanentemente à disposição do Estado”. No dia 21 de março foi a vez dos servidores públicos.

O governo anunciou que tirou os servidores públicos estaduais e municipais da proposta de reforma da Previdência porque dará autonomia para cada estado

—com exceção do Distrito Federal— definir como será o regime previdenciário local. Quem também demonstra descontentamento são os membros do Judiciário e do
Ministério Público. Apontam que não aprovam a reforma da Previdência. O motivo é simples. Será impossível reformar o setor sem cortar privilégios. Não é segredo
para ninguém que as duas categorias estão no topo da pirâmide e recebem os mais altos salários da República.

Apresentada em dezembro de 2016, a Proposta de Emenda Constitucional 287/2016 busca fixar idade mínima de 65 anos e 25 anos de contribuição —
tanto para homens quanto para mulheres— e só permitir pagamento do valor integral do salário quando o beneficiário tiver 49 anos de colaboração com o sistema
de seguridade social. Alguns benefícios também poderão ser desvinculados do salário mínimo, diminuindo o valor da aposentadoria ao longo do tempo.
Parece que mais uma vez a conta vai ficar para o trabalhador da iniciativa privada. Isso nós não podemos permitir. Aliás, não podemos permitir que tirem nenhuma
garantia conquistada com luta suor e lágrimas por bravos trabalhadores em anos e anos de luta.