SUPLICY


Por um mundo sem barreiras


//A proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de construir um muro ao longo de toda a fronteira entre os Estados Unidos e o México terá muitos
efeitos negativos para os povos dos países das três Américas.’ Na obra “Development as Freedom” (Desenvolvimento como Liberdade), o economista Amartya Sen,
ganhador do prêmio Nobel, enfatiza duas importantes contribuições de Adam Smith e Karl Marx ao mostrar como a liberdade é vital para o desenvolvimento –e que devemos sempre avaliar o quanto o desenvolvimento contribuiu para ampliar a liberdade do povo.

Ao ressaltar como o mecanismo de mercado contribuiu para o crescimento econômico, Adam Smith afirmou que a liberdade de comércio e de troca é parte essencial das
liberdades básicas que as pessoas avaliam como muito valiosas. Limitar a liberdade de participação no mercado de trabalho é uma das formas de manter a sujeição ao trabalho quase escravo.

Adam Smith foi um crítico severo das Leis dos Pobres –da Inglaterra do Século XVIII– devido às limitações do trabalhador pobre para encontrar empregos fora de sua
área paroquial. Embora Karl Marx fosse um grande crítico do capitalismo, soube reconhecer alguns de seus aspectos.

Assim, no livro “O Capital”, ele caracterizou a Guerra Civil Americana como o “grande evento da história contemporânea”, já que acabou com a escravidão.

Também relatou a importância da liberdade do contrato de trabalho em oposição à escravidão.

Os Estados Unidos são muito conhecidos por sua tradicional defesa da liberdade de comércio, de capital, bens e serviços em todo o mundo. Da mesma forma, e ainda
mais importante: os norte-americanos, historicamente, são a favor da livre circulação de seres humanos. Em 1987, o presidente Ronald Reagan pediu ao então líder
da União Soviética, Mikhail Gorbachev, que destruísse o Muro de Berlim, que separou por tanto tempo a Alemanha Ocidental da Alemanha Oriental, e que ficou conhecido como o “Muro da Vergonha”.

A intenção era dar um grande passo à paz e à liberdade, fato que finalmente ocorreu em 1989. Pessoas de todo o mundo aplaudiram com entusiasmo a queda do muro.
O que realmente precisamos nas Américas é construir as condições para que todos nós possamos ter liberdade de movimento e de viver em qualquer país. Para atingir
essa meta, temos de avançar no caminho para instituir os instrumentos da política econômica que signifiquem a aplicação de princípios da justiça, como bem explicado
por John Rawls em “A Theory of Justice: of Equal Freedom, of Difference and Equality of Opportunities” (Da Teoria da Justiça: Da Liberdade com Igualdade, Das Diferenças e de Oportunidades Iguais). Entre as justificativas do capitalismo, uma delas pode ser a criação da Renda Básica de Cidadania: o direito de cada pessoa, não importa a origem, idade, raça, sexo, condição civil ou socioeconômica, de participar da riqueza da nação por meio de uma renda que será suficiente para atender suas necessidades básicas. O presidente Donald Trump pode estudar os efeitos da experiência bem-sucedida do Alasca que, desde 1982, paga a todos os seus residentes que vivam lá por um ano ou mais um rendimento anual como resultado da riqueza acumulada do Fundo Permanente do Alasca. Desde o início dos anos 1980, 25% dos royalties da exploração dos recursos naturais, como o petróleo, são investidos nesse fundo. Os dividendos que resultaram dos investimentos do fundo variaram de US$ 300, no início dos anos 1980, até um máximo de US $ 3.269 em 2008, quando o preço do petróleo atingiu preços muito altos. Em 1980, o Alasca era o mais desigual
dos 50 Estados americanos.

Atualmente, ao lado de Utah, é o menos desigual. Seria um suicídio político se qualquer líder no Alasca propuser o fim deste sistema. No dia em que houver uma renda básica de cidadania incondicional paga a todas as pessoas, do Alasca à Patagônia, não haverá razão para existirem muros como o que o presidente Trump quer
construir separando os Estados Unidos do México e de todas as
nações da América Latina.