COREN-SP


Violência não resolve


A enfermagem é uma categoria fundamental na garantia da assistência segura e de qualidade à população. Estamos na linha de frente do cuidado, desde o acolhimento até
a mais alta complexidade, como o atendimento de urgência, emergência e pré-hospitalar. Permanecemos 24 horas por dia ao lado do paciente, ouvindo suas dores
e angústias, atendendo o soar da campainha nas longas madrugadas e nos dedicando ao cuidado científico, na incansável jornada por um atendimento de excelência.

Nesta luta diária, os profissionais enfrentam uma du-ra realidade de desvalorização e de falta de reconhecimento. São exaustivas jornadas de trabalho e baixos salários,
pois não há carga horária e pisos regulamentados; subdimensionamento de profissionais em relação à demanda de pacientes e atendimento; falta de insumos, de estrutura
e de condições dignas de trabalho e também uma epidemia de violência. Pesquisa realizada pelo Coren-SP, em parceria com o Cremesp, revelou que mais de 70% da categoria já sofreram algum tipo de agressão no ambiente de trabalho.

A violência contra os profissionais de saúde é uma epidemia mundial, anunciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2000. Essa realidade é resultado de uma
soma de fatores. No Brasil, destacam-se o subfinanciamento do SUS e a ineficiência dos modelos de gestão. Por atuar na linha de frente da assistência, a enfermagem está entre as categorias mais vulneráveis. Insatisfeitos com a demora ou falta de estrutura de atendimento, os pacientes descontam a sua indignação nos profissionais. A condição de gênero também agrava essa realidade. Categoria predominantemente feminina –86,3% no Estado de São Paulo– a enfermagem sofre as consequências das
disparidades que existem entre homens e mulheres e que as tornam mais vulneráveis à violência. Ainda de acordo com a pesquisa, mais de 60% dos profissionais agredidos não denunciaram, por medo de represálias ou de perder o emprego e descrença nos órgãos competentes. Esse fenômeno torna a violência contra a enfermagem
um problema invisível aos olhos da sociedade.

Disposto a transformar esse cenário, o Coren-SP lançou em 2015 a campanha “Violência não Resolve”, para conscientizar a sociedade sobre esta realidade e incentivar que as vítimas denunciem. A iniciativa promove ações publicitárias, atos públicos e reuniões com as Comissões de Ética de Enfermagem e de Medicina para a criação de fluxos de acolhimento e de proteção às vítimas. Conquistamos a criação de um grupo composto por Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo, Coren-SP e Cremesp para discutir o encaminhamento e o atendimento adequado a essas profissionais, combatendo dessa forma a impunidade e a revitimização. Ao sofrer agressão, o
profissional está sujeito a danos físicos, emocionais e psíquicos, o que impacta nas taxas de absenteísmo, presenteísmo e afastamento, comprometendo a capacidade das equipes e o atendimento prestado à sociedade. Portanto, não podemos permitir que aqueles que dedicam sua vida ao cuidar sofram as consequências da gestão ineficiente dos sistemas de saúde. Precisamos, juntos, mudar essa realidade, afinal, Violência não resolve.