GRÁFICOS-SP


GETÚLIO criou, TEMER destruiu


A CLT –Consolidação das Leis do Trabalho, sempre foi um incômodo para o setor patronal, porque os nossos empresários sempre tiveram uma mentalidade escravagista
e retrógada.

Quando o Getúlio Vargas criou a CLT os empresários não gostaram e articularam a queda do Getúlio, que só não se confirmou devido a morte do presidente Jango, queria
ampliar os direitos dos trabalhadores. E a grande imprensa, junto com os empresários articularam e financiaram o GOLPE.

Agora em 2015, o que incomodou os empresários foi o registro em carteira das empregadas domésticas. A nossa elite sempre foi atrasada e contra o desenvolvimento
das camadas mais pobres. Até a famigerada ditadura militar conviveu com a CLT. O governo Temer, junto com a FIESP, não consegue conviver. A reforma trabalhista,
aprovada pelo setor reacionário da câmara dos deputados, retirarou tudo aquilo que o Getúlio deixou de herança boa para a classe trabalhadora. Uma reforma seria para melhorar, o que temos aí é um desmonte daquilo que protegia os trabalhadores da ganância dos patrões. Agora os trabalhadores são jogados a própria sorte, onde nada mais o protege.

O negociado sobre o legislado. Se for com assistência do sindicato e de uma comissão de fábrica tudo bem, mas os patrões querem negociar diretamente com os funcionários. Que força tem um trabalhador sozinho para negociar com uma SIEMENS e com uma Rede Globo? Querem afastar o sindicato das negociações coletivas e trazer a exploração para negociação individual. Os direitos das mulheres foram todos tirados de uma maneira criminosa pela base de apoio do governo, na minha opinião, sem legitimidade. Só resta aos trabalhadores se organizarem em seus sindicatos pois, o sindicato é e sempre foi o único fórum em que os trabalhadores podem contar e lutar contra os desmandos da FIESP e do governo Temer. Não tenho dúvidas, até que me provem o contrário, que esta reforma, ou deforma, foi redigida nas organizações patronais com o apoio da imprensa que sempre jogou um papel perverso no desmonte das relações capital e trabalho, como se a CLT fosse uma coisa marxista e revolucionária – coisa que está longe de ser. O que a CLT trazia, era nada mais do que a dignidade e segurança para a classe trabalhadora. A CLT teve 116 pontos subtraídos, o que a descaracteriza como um todo. A Justiça que funcionava no Brasil era a Justiça do Trabalho, agora perdeu completamente o seu poder de ação.
Outra sacanagem é o pagamento do trabalho intermitente, tirando a condição do trabalhador registrado e membro dos quadros da empresa, para simplesmente biqueiro,
igual àqueles gatos de fazenda que roubam os trabalhadores em empreitadas. Voltamos às piores situações de trabalho do século XIX, onde os trabalhadores
ganhavam simplesmente para comer. Onde vamos parar com tantos desmandos? Qual o futuro da classe trabalhadora que sustenta as demais classes econômicas?
Querem jogar toda a classe trabalhadora, incluindo os funcionários públicos, para a semiescravidão.

Porque vocês acham que os juízes e militares ficaram de fora das reformas? É para manter de pé o aparelho repressivo, caso aja, no futuro, lutas para reverter esta
situação caótica. Os TRABALHADORES e as CENTRAIS SINDICAIS têm a responsabilidade histórica de promover lutas para reverter este quadro que vai gerar
ainda mais distorções sociais, miséria e fome no Brasil; que deveria, antes de ser o celeiro do mundo, ser um oásis para o seu povo.