SINDIQUÍMICA-BA


Funcionários do ramo químico da Bahia iniciam campanha salarial


Na Bahia, trabalhadores do ramo químico discutiram as estratégias de enfrentamento contra a reforma trabalhista (Lei 14.367) que deverá entrar em vigor no período da
campanha salarial. A reforma foi aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Michel Temer e ameaça os acordos coletivos das categorias representadas pelo Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Químico da Bahia (Sindiquímica). Por isso, o assunto foi tema de um seminário no dia 19 de agosto que contou com a participação de trabalhadores petroquímicos, químicos, plásticos e dos terminais químicos, além de dirigentes sindicais.

Participaram do seminário, os assessores jurídicos do sindicato, Ricardo Serra e Moacir Martins, e a técnica do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos
Socioeconômicos 0(Dieese), Nádia Vieira. Durante sua apresentação, Serra explicou as propostas tiradas durante o encontro jurídico 0da Central Única dos Trabalhadores (CUT) que aconteceu no início de agosto em São Paulo sobre a reforma trabalhista. “Com a mudança na legislação trabalhista, na campanha salarial as empresas petroquímicas do Polo de Camaçari possivelmente vão querer enfraquecer a categoria com a proposta de retirada de direitos historicamente conquistados ao longo
dos anos”, alertou o advogado. A Convenção Coletiva dos petroquímicos baianos é uma das mais avançadas do Brasil e tem servido de exemplo até para outras categorias
ligadas à indústria.

Serra falou também sobre os artigos da CLT que foram modificados e atingem diretamente os trabalhadores do ramo como o fim da ultratividade, contratos precários, ampliação da jornada de trabalho, redução do horário de intervalo, o fim da hora in itinere. Se não houver reação dos empregados, os empresários vão querer impor a terceirização em todas as áreas. Por isso, o advogado acredita que a unidade dos trabalhadores que iniciam as negociações salariais, contratados e terceirizados, pode
fortalecer os sindicatos e barrar a retirada de direitos. “De qualquer forma, o texto da Lei 14.367 traz várias medidas que violam a Constituição de 1988 e o Ministério Público do Trabalho deverá contestá- la”, finaliza Serra.

A reforma também desrespeita convenções internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) da qual o Brasil é signatário. Desempenho positivo do setor
“Apesar da crise econômica as empresas do setor petroquímico registraram saldo positivo em 2016”, explicou a técnica do Dieese, Nádia Vieira, durante o seminário, no Sindiquímica. Além de mostrar o desempenho das empresas petroquímicas e químicas brasileiras, a economista apresentou um balanço das negociações coletivas
de cerca de 800 categorias em 2016. Em relação à indústria química, a economista explicou que houve um aumento da demanda de produtos químicos industriais e acabados e algumas empresas petroquímicas, que publicam balanço, registraram resultado positivo ano passado.

É o caso da Cristal, que teve aumento de 15% na receita e de 91% no EBITDA. A Deten registrou aumento de 3,35% na receita e de 6,79% no lucro operacional. A
Braskem apurou EBITDA recorde de R$ 11,5 bilhões em 2016, sendo que as plantas instaladas no Brasil foram responsáveis por 74% deste resultado. A Elekeiroz
já registra lucro de R$ 30 milhões até junho de 2017 e aumento de 14% da receita de vendas. Com base nas informações apresentadas no seminário, o Sindiquímica
prepara a pauta de reivindicações que deverá ser encaminhada até fim deste mês às empresas petroquímicas, químicas, plásticas, além dos terminais químicos
Vopak e Tequimar depois de aprovadas pelos trabalhadores. Assalto na volta para a casa Um assalto levou pânico para dentro do ônibus que levava para casa trabalhadores do Polo Petroquímico de Camaçari (BA), na madrugada de 17 de agosto, em Salvador. De acordo com as vítimas, por volta das 0h15, logo após o desembarque de um dos trabalhadores, quatro homens armados invadiram o veículo e saquearam todos os 12 passageiros. Foram levados celulares, relógios e outros objetos. Apesar da truculência
dos bandidos, ninguém ficou ferido. Segundo relatos, os assaltos estão se tornando constantes. Em menos de um ano, esse é o segundo assalto nesse mesmo ônibus e
há relatos do crime sendo cometido em outros roteiros. O episódio é considerado como um acidente de trajeto, já que o assalto aconteceu dentro do ônibus da empresa e
por conta disso os trabalhadores querem o ressarcimento pelos danos morais e materiais. O Sindiquímica se manifestou e exigiu das empresas o ressarcimento dos objetos roubados e mais segurança.