CUT-SP


Lutar sem jamais perder a esperança


por Vagner Freitas – presidente da
CUT

Normalmente, abro meus textos falando sobre a crise política e econômica, as medidas de retirada de direitos sociais, trabalhista e previdenciários. Hoje, farei diferente. Quero começar falando sobre pessimismo e incertezas. É que, como a maioria dos/as brasileiros/as, observo o cenário nacional com absoluta descrença de que,
no futuro, poderemos ter dias melhores.

E o aumento do pessimismo e das incertezas da população com relação ao que esperar do futuro não é apenas uma sensação, foram confirmadas na última rodada da pesquisa CUT/Vox Populi, realizada no fim de julho último. Em abril de 2012, durante o governo petista, quando havia geração de emprego, construção de casas populares
e combate efetivo à fome e à miséria, entre outras políticas sociais e de incentivo ao crescimento, com desenvolvimento e justiça social, os brasileiros estavam otimistas
e confiantes de que o futuro seria melhor. Pesquisa CUT/Vox Populi feita na época mostrou que 75% das pessoas achavam que o ano seguinte, 2013, seria ainda melhor.
O auge de satisfação dos brasileiros com a vida que levavam e a confiança no futuro foram registrados nos governos petistas de Lula e Dilma. Em maio de 2008, 67% dos entrevistados estavam satisfeitos com a vida que levavam. Em abril de 2012, o percentual subiu para 68%. As mais altas taxas de confiança no futuro também fora registradas no mesmo período. Em maio de 2008, 58% dos brasileiros acreditavam que o ano seguinte seria melhor. Em abril de 2012, o percentual aumentou
para 75%.

Já o auge do pessimismo começou com o golpe e de lá para cá vem crescendo mês a mês, junto com o desemprego, que já atinge mais de 13,5 milhões de trabalhadores.
A recessão e a crise política paralisaram totalmente o Brasil, mas Temer não conteve os gastos nem tampouco colocou em prática uma política de aquecimento da economia. Gastou milhões de reais em emendas para que os deputados votassem contra a abertura do inquérito. Quando fez isso não se preocupou com o déficit das contas públicas, que aumentou para estratosféricos R$ 159 bilhões, tanto pelo excesso de gastos quanto pela falta de arrecadação provocada pela recessão. Agora, coloca
o Brasil à venda a preços módicos para diminuir o tamanho do rombo. Temer anunciou a privatização da Eletrobras e de outras 57 empresas estatais, que serão entregues
para o capital estrangeiro única e exclusivamente porque temos um presidente incompetente, sem política econômica voltada para o desenvolvimento econômico
e social do país, preocupado apenas em se manter no cargo, depois das denúncias de corrupção e formação de quadrilha, feitas pelo procurador geral da República Rodrigo
Janot. Não há otimismo que resista a tanta notícia ruim. E isso vem deste que Temer usurpou o cargo de presidente da República de Dilma. Ele está se especializando em
deixar os brasileiros pessimistas e descrentes de que o futuro possa ser melhor. Em julho deste ano, segundo a CUT/VOX, 61% dos brasileiros afirmaram que a vida
piorou com Temer e 46% estavam insatisfeitos com a vida que levavam. Nem a inflação de menos de um dígito anima o povo: 75% dos entrevistados acham que vai aumentar.

Outros 72% apostam no aumento do desemprego. O golpe de Estado que destituiu uma presidenta legitimamente eleita e colocou em seu lugar o usurpador e ilegítimo Michel Temer (PMDB-SP), não aqueceu a economia nem gerou empregos, como eles diziam. A recessão se mantém firme sem sinal de que vai embora. E todas as medidas tomadas desde então pelo “chefe de organização criminosa”, como afirmou Janot, em sua denúncia, são contrárias aos interesses do Brasil e dos brasileiros.

O Congresso Nacional, com enormes bancadas conservadoras do boi, da bala, da bola etc., também não colabora para melhorar o quadro, só aprova medidas contrárias aos interesses da classe trabalhadora, como o congelamento dos gastos com saúde e educação, entre outros, por 20 anos e o fim da CLT, sem falar no descaso relacionados as denúncias de corrupção. Em apenas algumas horas, a Câmara dos Deputados barrou, por exemplo, o pedido da PGR para que o Supremo Tribunal Federal (STF) abrisse investigação contra Temer, segundo a grande imprensa, após milionárias negociações entre o presidente e suas excelências, os deputados.

Apesar de tudo isso, minha natureza otimista fala mais alto. Acredito na luta. Acredito na resistência. Não vou enfiar a cabeça embaixo do travesseiro e desistir da
luta. É hora de nos mantermos organizarmos e mobilizados, para realizarmos outras grandes manifestações como a Greve Geral de 28 de abril, quando fizemos a maior greve da história do Brasil contra as reformas de Temer. É com pressão, mobilização e greve que vamos mudar o quadro atual e, juntos, discutirmos formas de defender o
emprego, o salário, as condições de vida e até a reversão das medidas contrárias aos interesses dos trabalhadores e do povo mais pobre que veem sendo aprovadas por
Temer e sua base aliada. O Brasil não pode andar para trás. E, tenho certeza, o povo saberá reagir e garantir a nossa soberania e recuperar a dignidade de ser brasileiro.